Pastor Sandro Rocha critica exclusão de fiéis em união estável: "cadê a certidão de José e Maria?"
Líder da Igreja do Porto de Cristo questiona exigência de certidão e cita Adão, Eva, José e Maria como exemplos bíblicos de uniões sem registro em cartório
Pastor Sandro Rocha durante ministração em igreja - Imagem: Reprodução/web O pastor Sandro Rocha, presidente da Igreja do Porto de Cristo e conhecido por suas opiniões contundentes, voltou a gerar repercussão nas redes sociais com uma declaração sobre a natureza do matrimônio e os critérios para o batismo.
Em um vídeo recente, Rocha defendeu que o casamento formal, com celebração religiosa e registro em cartório, é uma construção cultural ocidental e não uma doutrina bíblica. Segundo ele, pessoas que vivem em união estável não deveriam ser impedidas de se batizar ou de participar da Santa Ceia.
Para sustentar seu argumento, o pastor recorreu a figuras bíblicas. "Onde está a certidão de casamento de José e Maria? Apresenta pra mim onde na Bíblia Adão e Eva foram no cartório lavrar a escritura", questionou de forma irônica. Segundo Sandro Rocha, a igreja moderna comete uma "maldade" ao excluir fiéis que vivem maritalmente sob o pretexto de estarem em pecado por falta de um papel oficial, algo que, segundo ele, não existia nos tempos bíblicos.
Rocha também citou o exemplo de Boaz e Rute, destacando que o acordo matrimonial foi selado com a entrega de um sapato, conforme o costume da época. Ele argumentou que as igrejas impõem fardos que não estão nas Escrituras. "Esse negócio de vir na igreja, casar o pastor, o padre, isso é uma coisa nossa, do nosso costume. Isso não existia na época de Jesus", disparou.
O pastor ressaltou que é casado há 35 anos, mas que sua experiência pessoal não o cega para o que ele considera imposições heréticas sobre a congregação.
A fala de Sandro Rocha toca em uma ferida aberta no meio evangélico: a burocratização da fé. Enquanto líderes conservadores veem na cerimônia civil e religiosa uma proteção à família, Rocha propõe um retorno ao que chama de essência bíblica, em que o compromisso mútuo entre o casal seria soberano sobre a formalidade jurídica. O debate segue dividindo opiniões entre teólogos e membros de diversas denominações.




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