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Maceió,04/05/2026

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    Um ano sem telas: colégio do Recife celebra resultados positivos da lei que proíbe celulares nas escolas

    Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes avalia que medida reduziu dispersão, fortaleceu vínculos sociais e aumentou interesse dos alunos pela leitura

    Eixo Gospel, com informações de Assessoria
    Um ano sem telas: colégio do Recife celebra resultados positivos da lei que proíbe celulares nas escolas Reprodução/ Web

    A lei que restringe o uso de celulares nas escolas completou um ano no mês passado, e o balanço do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife, aponta impactos positivos significativos no ambiente escolar. Para gestores e educadores da instituição, a medida promoveu mudanças expressivas no cotidiano dos alunos, como a redução das distrações, maior integração entre os estudantes, mais organização e um aumento expressivo no interesse pelos livros e pela leitura espontânea.


    Graça Teti, coordenadora do Ensino Fundamental – Anos Finais, destacou que o aspecto mais perceptível foi a redução da dispersão e da ansiedade associadas ao uso constante de telas. Segundo ela, foi possível observar maior capacidade dos alunos de permanecerem nas atividades propostas, aumento do contato visual, melhora na escuta ativa e maior respeito às rotinas escolares. "As crianças passaram a demonstrar mais iniciativa nas interações presenciais e maior envolvimento emocional com as experiências em sala de aula", completou.


    A dinâmica das aulas também mudou. A assessora pedagógica Fernanda Sales explicou que a medida impulsionou uma revisão intencional das práticas pedagógicas. Os professores passaram a investir mais em metodologias ativas, no uso de materiais concretos, em debates mediados, em atividades colaborativas e em estratégias que favorecem a interação presencial. "A dinâmica das aulas tornou-se mais dialógica e estruturada, com maior previsibilidade da rotina e foco na aprendizagem, sem a necessidade de competir com estímulos externos", afirmou.


    Os pais e responsáveis também tiveram que se adaptar. Fernanda relatou que, no início, houve questionamentos pontuais, especialmente relacionados à comunicação e à adaptação dos alunos. No entanto, ao longo do ano, o feedback recebido tornou-se predominantemente positivo, com relatos de melhora na concentração, maior organização nos estudos, redução da ansiedade e uso mais consciente do celular fora da escola. "A comunidade escolar passou a compreender a medida como uma ação educativa e formativa, e não apenas restritiva", finalizou.


    A psicóloga educacional Daniela Bacovis acrescentou que, no início da proibição, alguns alunos demonstraram resistência e dificuldade de adaptação, além de tentarem burlar as regras. A equipe escolar trabalhou esses desafios por meio do diálogo e da orientação. "A parceria com as famílias ajudou os estudantes a se adaptarem gradualmente à mudança", comentou.


    A equipe pedagógica observou que, nesse período, os alunos resgataram espontaneamente brincadeiras tradicionais, como jogos coletivos e de tabuleiro, além de conversas, momentos de oração e leituras coletivas. Crianças que antes permaneciam isoladas com o celular passaram a interagir mais com os colegas, fortalecendo vínculos sociais e habilidades de convivência e cooperação. "Esse movimento também contribuiu para a redução de conflitos e para a construção de um clima escolar mais saudável", afirmou Graça Teti.


    Os jovens também passaram a explorar com mais frequência os espaços de leitura, demonstrando maior curiosidade por histórias e dedicando mais tempo aos livros, tanto em atividades orientadas quanto nos momentos livres. Segundo Teti, esse movimento tem impacto direto no desenvolvimento da linguagem, da imaginação e da capacidade de concentração.


    Ronaldo Queiroz, coordenador do Ensino Médio, observou uma mudança no formato de estudo dos vestibulandos, já que os celulares também eram utilizados para essa finalidade. "Houve uma mudança de formato, não uma perda de estudo. O que funcionou melhor foi o planejamento de 'momentos digitais' supervisionados, quando necessário, com uso de laboratório, Chromebooks ou tablets institucionais, ou atividades específicas com pesquisa guiada; mais estudo estruturado e offline; e mais intencionalidade. Quando o digital é usado, passa a ser com objetivo didático explícito, e não como apoio espontâneo, que muitas vezes gerava dispersão", explicou.


    Para manter o equilíbrio entre a disciplina tecnológica e o bem-estar emocional dos alunos, recomenda-se estabelecer regras claras e bem definidas sobre o uso da tecnologia, aliadas a ações educativas que promovam o uso consciente dos recursos digitais. De acordo com Bacovis, também é importante continuar incentivando atividades presenciais, esportivas e recreativas, além de manter espaços de escuta e apoio emocional para os alunos.


    Neste primeiro ano desde a implementação da proibição, o CPM Agnes já planeja novas estratégias para consolidar os resultados positivos, como a ampliação de ações formativas com professores sobre práticas pedagógicas sem mediação digital; orientações sistemáticas aos alunos sobre o uso responsável da tecnologia fora do ambiente escolar; momentos pontuais e pedagógicos de utilização de recursos digitais, de forma planejada e intencional; e parcerias com as famílias para alinhar expectativas e práticas educativas.




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